sábado, 3 de julho de 2010

Se não houvessem Montanhas

Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!

Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!

Se não houvesse saudade, solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse, além de breve, perdida!
Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.

Madrugada no Campo

Com que doçura essas brisa penteia
a verde seda fina do arrozal -
Nem cílios, nem pluma,
nem lume de lânguida lua,
Nem o suspiro do cristal.

Com que doçura a transparente aurora
tece na fina seda do arrozal
aéreos desenhos de orvalho!
Nem lágrima, nem pérola,
nem íris de cristal...

Com que doçura as borboletas brancas
prendem os fios verdes do arrozal
com seus leves laços!
Nem dedos, nem pétalas
nem frio aroma de anis em cristal

Com que doçura o pássaro imprevisto
de longe tomba no verde arrozal!
- Caído céu, flor azul, estrela última:
súbito sussurro e eco de cristal
( Cecília Meireles )

Sentimentalismo Barato

Sou sentimental
Me apego como tal
Choro e Sofro
Como se fosse normal
Fantasio a realidade
Com alguém que na verdade
Só se faz deixar a saudade...
Derrubo-me por tão pouco
Dizem até que sou louco
Mas quem... me diz
Quem não tenta ser feliz?
O que de errado foi que fiz?
Cometi atos juvenis?
Penso que talvez não...
Eu crio a ilusão
Desenvolvo a solidão
Canto meu próprio refrão
Pra encontrar uma solução
E quem sabe um dia...
Te ter não só no meu coração...
Sou sentimental
Me apego como tal
Choro e Sofro
Como se fosse normal
Fantasio a realidade
Com alguém que na verdade
Só se faz deixar a saudade...
Derrubo-me por tão pouco
Dizem até que sou louco
Mas quem... me diz
Quem não tenta ser feliz?
O que de errado foi que fiz?
Cometi atos juvenis?
Penso que talvez não...
Eu crio a ilusão
Desenvolvo a solidão
Canto meu próprio refrão
Pra encontrar uma solução
E quem sabe um dia...

Meu Partido Coração

você desperdiçou o amor
magoou-me ,
despedaçou-me tudo ilusão ?
que partiu meu coração
pra você eu me entreguei
dei-te o que havia de melhor em mim
pra fazer você sentir
que o amor é mesmo assim ?
vou pra algum lugar
onde eu possa encontrar
a sensação de libertar
minha vontade de gritar
peito cheio de rancor
sentimento mascarado
com aquela cor
olhos cheio d'água
de tanta mágoa
é o que a tristeza faz
sorriso disfarçado
olhos de cor de chuva ...

Vazio Oco

queria entender esse vazio oco que me toma , esse vazio de qual tento fugir várias vezes , esse vazio que me enche de orgulho por fora , mais por dentro é uma decepção , mas que me surpreende e me faz notar que a vida é bela , mais pra lutar temos que buscar nossos objectivos e que sempre que desistirmos , devemos voltar e recomeçar tudo de novo , porque quem não recomeçar , sempre acaba cai cada vez mais ...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tudo é o Olhar

Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
( Clarice Lispector )

Poesia por acaso

Sem inspiração
estou agora.
Tento atiçar a imaginação
mas ela demora.
Não consigo pensar em algo
que faça rimas.
É como querer acertar o alvo
com a flecha apontada para cima.
Não acho um bom assunto
que se organize bem em versos.
Mesmo sabendo que no mundo
há mil assuntos diversos.
Que coisa chata,
não consigo imaginar.
Isso quase me mata,
porque é horrível não poder pensar.

Mas espere um momento,
mesmo não tendo um tema,
se estas frases vou relendo,
vejo que é um poema!
( Clarice Pacheco )

Canção do dia de Sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
( Mário Quintana )